Linux: Um sistema operacional viável
Em 23 de abril de 2026 a Canonical lançou o Ubuntu 26.04 LTS, codinome Resolute Raccoon, com cinco anos de manutenção padrão e extensão possível até 2041 pelo programa Ubuntu Pro. O lançamento renovou o interesse de usuários domésticos e de profissionais por sistemas operacionais de código aberto, movidos por controle sobre o ambiente de trabalho e por independência de licenciamento comercial.
Motivos para considerar a migração
A adoção do Linux atende a objetivos distintos. Usuários domésticos buscam sobrevida para notebooks antigos, já que distribuições leves consomem menos memória e processamento do que versões recentes do Windows. Desenvolvedores buscam compatibilidade nativa com ferramentas de linha de comando e com contêineres. Profissionais que tratam dados sensíveis, sob os deveres da Lei 13.709/2018 [Lei Geral de Proteção de Dados], adicionam controle sobre telemetria e sobre o fluxo de informação do sistema operacional às razões de migração. O código aberto permite auditoria: qualquer pessoa com conhecimento técnico pode consultar o funcionamento interno do sistema, ao contrário dos sistemas proprietários fechados.
Escolha da distribuição
A escolha inicial recai sobre três distribuições consolidadas, cada uma com público e propósito distintos.
Ubuntu 26.04 LTS [Resolute Raccoon]: lançado em abril de 2026 pela Canonical, recebe cinco anos de suporte padrão. Indicado para quem busca ampla documentação, compatibilidade com a maioria do hardware recente e suporte comercial disponível via Ubuntu Pro.
Linux Mint 22.3 [Zena]: lançado em janeiro de 2026, baseado no Ubuntu 24.04.3 LTS. Interface Cinnamon, próxima à do Windows, indicada para quem migra pela primeira vez e busca uma curva de aprendizado curta.
Fedora Linux 44: lançado em 28 de abril de 2026 pelo projeto Fedora, com ambiente GNOME 50. Indicado para quem busca pacotes atualizados com maior frequência e proximidade com o desenvolvimento upstream do kernel Linux.
Distribuições derivadas de Ubuntu ou Debian compartilham o gerenciador de pacotes APT. Fedora usa o gerenciador de pacotes DNF e o formato RPM. A escolha entre a família Debian/Ubuntu e a família Fedora/Red Hat condiciona a disponibilidade futura de pacotes e tutoriais.
Preparação: backup e mídia de instalação
O backup completo dos arquivos precede qualquer intervenção no disco. Falha de energia, erro de particionamento ou escolha incorreta de opção no instalador podem apagar dados sem aviso prévio. Recomenda-se cópia em nuvem e cópia em mídia física independente, com verificação de integridade dos arquivos copiados.
A mídia de instalação exige um pendrive USB com espaço livre suficiente para a imagem ISO da distribuição escolhida, geralmente acima de 6 GB; o tamanho exato consta na página de download oficial. Dois programas gravam a imagem no pendrive: Rufus, exclusivo para Windows, disponível em rufus.ie; e balenaEtcher, disponível para Windows, macOS e Linux, em balena.io/etcher. Ambos os programas apagam todo o conteúdo do pendrive durante a gravação.
Antes da gravação, a verificação do hash SHA256 da imagem ISO baixada contra o valor publicado no site oficial da distribuição confirma a integridade do arquivo e a ausência de adulteração durante o download.
Ajustes na BIOS/UEFI e no particionamento do disco
O computador precisa inicializar pelo pendrive em vez do disco interno. A tecla de acesso à BIOS/UEFI varia de acordo com o fabricante: geralmente F2, F10, F12, Delete ou Esc, pressionada nos primeiros segundos após ligar o equipamento. Na BIOS/UEFI, a ordem de boot é alterada para colocar o dispositivo USB em primeiro lugar.
Sobre o Secure Boot: Ubuntu e Fedora distribuem um shim assinado digitalmente, o que dispensa, na maioria dos equipamentos recentes, a desativação do Secure Boot. Equipamentos mais antigos ou com configuração de firmware não padronizada podem exigir a desativação temporária do Secure Boot durante a instalação. A documentação oficial de segurança do Ubuntu, disponível em documentation.ubuntu.com, e a página do projeto Fedora sobre o tema, em fedoraproject.org/wiki/Secureboot, detalham as exceções por fabricante.
O particionamento do disco define o modelo de convivência entre os sistemas. Três caminhos se apresentam durante a instalação gráfica: instalação lado a lado com o Windows existente [dual boot, com redimensionamento automático ou manual da partição do Windows]; substituição integral do Windows pelo Linux, com apagamento de todo o conteúdo do disco; ou particionamento manual, recomendado apenas a usuários com conhecimento prévio de tabelas de partição e pontos de montagem.
Instalação passo a passo
Com o pendrive conectado e a BIOS/UEFI configurada, o computador reinicia e exibe o menu da distribuição escolhida. A opção "Experimentar" [Try] carrega um sistema temporário em memória, útil para testar compatibilidade de hardware sem qualquer alteração no disco. A opção "Instalar" inicia o assistente gráfico, que percorre na seguinte ordem: seleção de idioma e layout de teclado; conexão à rede sem fio, quando disponível; escolha entre atualizações e software de terceiros durante a instalação; particionamento, conforme descrito na seção anterior; criação de usuário administrador e senha; fuso horário.
A conclusão do assistente leva de dez a trinta minutos, a depender do desempenho do disco e do processador. Ao final, o instalador solicita a remoção do pendrive antes da reinicialização, para evitar a repetição do menu de instalação.
Depois da instalação: primeiros cuidados
A atualização completa do sistema, pelo gerenciador de pacotes correspondente [APT nas distribuições Ubuntu e Mint, DNF no Fedora], deve preceder qualquer outra ação. A instalação de drivers proprietários, quando necessária para placas de vídeo ou adaptadores de rede específicos, é realizada por meio de uma ferramenta gráfica dedicada em cada distribuição. A configuração de backup automático, por meio de uma ferramenta nativa ou de sincronização em nuvem, evita a repetição do risco descrito na fase de preparação. Para quem mantém o Windows em dual boot, o gerenciador de boot GRUB apresenta, a cada inicialização, a escolha entre os dois sistemas, com um tempo limite configurável.
Em termos simples
Instalar Linux equivale a trocar o sistema operacional do computador, a camada de software que administra o hardware, os arquivos e os programas. Windows, macOS e Linux cumprem a mesma função por caminhos diferentes. Uma analogia ajuda: o disco rígido corresponde ao imóvel, o sistema operacional corresponde à administração do condomínio, e os programas instalados correspondem aos móveis. A troca de sistema operacional não apaga automaticamente os [arquivos pessoais], mas requer planejamento prévio, assim como uma mudança de síndico exige uma transição organizada, sob risco de bagunça.
Glossário de Termos
BIOS/UEFI: firmware que inicializa o hardware do computador antes de carregar qualquer sistema operacional.
Boot: processo de inicialização do computador, da energização até o carregamento completo do sistema operacional.
Distribuição [distro]: conjunto formado pelo núcleo Linux, bibliotecas, gerenciador de pacotes e interface gráfica, empacotado e mantido por um projeto específico.
Dual boot: configuração com dois sistemas operacionais instalados no mesmo disco, com escolha do sistema a cada inicialização.
GRUB: gerenciador de boot que exibe um menu de escolha entre os sistemas operacionais instalados no mesmo disco.
Hash SHA256: sequência de caracteres gerada a partir de um arquivo, usada para verificar a integridade do arquivo baixado.
ISO: arquivo único que contém a imagem completa de instalação de um sistema operacional.
Kernel: núcleo do sistema operacional, responsável pela comunicação direta com o hardware.
LTS [Long Term Support]: versão de suporte estendido, com correções de segurança por um período determinado.
Partição: divisão lógica do disco rígido, tratada pelo sistema operacional como uma unidade independente.
Pendrive bootável: dispositivo USB configurado para iniciar o computador e executar o instalador de um sistema operacional.
Secure Boot: recurso de firmware que verifica a assinatura digital do sistema operacional antes de permitir a inicialização.
Shim: pequeno programa assinado digitalmente que faz a ponte entre o Secure Boot e o carregador de boot do Linux.
Telemetria: coleta automática de dados de uso do sistema operacional, enviada ao fabricante ou ao mantenedor.
A migração para Linux dispensa conhecimento avançado de informática, embora exija disciplina em três pontos: escolha da distribuição adequada ao propósito, backup completo antes de qualquer alteração no disco e verificação da integridade da mídia de instalação. O restante do processo segue um assistente gráfico guiado, comum às principais distribuições.
P.S. Antes de clicar em "Instalar", pergunte-se: os arquivos essenciais estão copiados em dois locais diferentes no disco que será formatado? Se a resposta for não, o backup vem primeiro. A publicação é meramente informativa.
Fontes
Canonical: Canonical releases Ubuntu 26.04 LTS Resolute Raccoon
Ubuntu: Download Ubuntu Desktop
Ubuntu: Release cycle
Ubuntu Security Documentation: UEFI Secure Boot
Linux Mint: Release Notes 22.3 Zena
Linux Mint: página oficial
Fedora Magazine: Fedora Linux 44 Release
Fedora Project: Fedora Workstation Download
Fedora Project Wiki: Secureboot
Rufus: site oficial
balenaEtcher: site oficial
Hugging Face Spaces: linuxinstalar [perfil de Alexandre Morais da Rosa]
Planalto: Lei 13.709/2018 [Lei Geral de Proteção de Dados]
